Como identificar sinais do autismo? Especialista responde durante a campanha Abril Azul

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Extra Interior – 1 de abril de 2026

Abril Azul é uma campanha dedicada à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforçando a importância do respeito, da informação e da inclusão. Ao longo do mês, ações em todo o país chamam a atenção para a necessidade de ampliar o entendimento da sociedade sobre o autismo, combatendo preconceitos e promovendo mais acolhimento às pessoas autistas e suas famílias.

A mobilização ganha ainda mais força no dia 2 de abril, data em que é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, criado pela Organização das Nações Unidas. Mais do que iluminar prédios de azul ou compartilhar mensagens nas redes sociais, a campanha propõe um debate necessário sobre diagnóstico precoce, acesso a tratamentos, inclusão escolar e oportunidades no mercado de trabalho.

Em um cenário em que cada vez mais famílias buscam informação e apoio, o Abril Azul também serve como convite à empatia. A campanha lembra que compreender o autismo é um passo essencial para construir uma sociedade mais justa, acessível e preparada para valorizar as diferenças.

O Extra conversou com o dr. Sivan Mauer, médico psiquiatra da infância e adolescência do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM) e professor da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) (CRM/PR 19.196 | RQE- 19085) que falou da importância da campanha Abril Azul, quais são os principais sinais de alerta do autismo e quais terapias fazem parte do tratamento.

 

Extra – O que representa a campanha Abril Azul e qual é o principal objetivo desse movimento de conscientização?

Sivan – A campanha Abril Azul é um movimento internacional de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Seu principal objetivo é ampliar o conhecimento da sociedade sobre o autismo, reduzir o estigma, promover o diagnóstico precoce e incentivar a inclusão social, educacional e profissional das pessoas no espectro.

Extra – Por que é importante dedicar um mês inteiro para discutir o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

Sivan – Porque o autismo ainda é cercado por desinformação e preconceitos. Dedicar um mês ao tema permite aprofundar o debate, sensibilizar diferentes setores da sociedade e fomentar políticas públicas mais efetivas.

Extra – Quais são os principais sinais de alerta do autismo que pais e responsáveis devem observar nas crianças?

Sivan – Os principais sinais incluem atraso ou ausência de fala, pouco contato visual, falta de resposta ao nome, dificuldade de interação social, comportamentos repetitivos e interesses restritos.

Extra – Em que fase da infância normalmente surgem os primeiros indícios do transtorno e quando é recomendado procurar avaliação especializada?

Sivan – Os primeiros sinais costumam aparecer entre 12 e 24 meses de vida. A recomendação é procurar avaliação especializada assim que houver qualquer suspeita.

Extra – O diagnóstico precoce pode mudar o desenvolvimento da criança com autismo? De que forma isso acontece na prática?

Sivan – Sim. Permite intervenções precoces em fase de alta plasticidade cerebral, favorecendo linguagem, habilidades sociais e autonomia.

Extra – Quais são os maiores desafios enfrentados pelas famílias após a confirmação do diagnóstico?

Sivan – Impacto emocional, dificuldade de acesso a terapias, custos financeiros, sobrecarga e falta de suporte institucional.

Extra – A escola tem papel fundamental na inclusão. Como as instituições de ensino podem se preparar melhor para receber alunos com TEA?

Sivan – Capacitação da equipe, estratégias individualizadas, suporte multiprofissional e ambiente estruturado e inclusivo.

Extra – Ainda existem muitos mitos sobre o autismo. Quais são os mais comuns?

Sivan – Autistas não têm afeto; vacinas causam autismo; todo autista é igual; autismo tem cura — todos são mitos.

Extra – Quais tipos de terapias fazem parte do tratamento?

Sivan – Terapia comportamental, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicoterapia e acompanhamento médico.

Extra – Que mensagem deixar para a sociedade?

Sivan – O autismo deve ser compreendido, não corrigido. Inclusão exige adaptação social, respeito e informação.